terça-feira, 2 de junho de 2009

Nostalgia.


É mais profunda que a saudade.
A saudade é um tanto passageira, pois no exato momento do encontro supre-se a necessidade da vontade, do tato, da palavra. Mas a nostalgia não, é como aquela pedrinha dentro do sapato, que te agonia de uma forma simplória e insuportável, que só cessa se você a tira.
Como então arrancar a nostalgia da sua própria essência?
A pedra é fácil.
A saudade nem tanto.
A nostalgia, só com o tempo.
Mas mesmo assim não te garanto.
Porque o tempo engana, de repente a lembrança vem de novo e aí já era...nostalgia de novo.
De um tempo bom de chuva, onde a chuva servia pra te fazer dormir melhor e o ecos agradáveis o prendiam na cama até as dez. Não para desmoronar casas e vidas.
De umas brincadeiras bobas com crianças que eram crianças, que corriam na lama, empinavam pipas, nadavam no rio, pegavam frieira e á tarde comiam bolo de fubá e tomavam café com leite da avó. Não crianças que engravidam aos 12 anos.
De uns desenhos antigos e educativos. Não da réplica de bonecos, nas mãos de cada criança.
Das telas de aquarela, dos tons, cores e sensações que representavam a liberdade de expressão, a forma de exprimir o sensível, o belo. Não para serem expostas em redomas de vidro blindadas.
Das camisas furadas de futebol, com calções velhos e desgastados em corpos anônimos que se divertiam no campinho do bairro em algum final de semana. Não essa bola jogada por camisas de time, com marcas de corporações internacionais.
Das coisas simples e sorrisos puros. Da carteira cheia se sementinhas de girassol e a felicidade por se ter uma moeda de 50 centavos. Do suor da brincadeira na rua. Da boca melada de brigadeiro de uma tarde de Domingo. Dos amigos peraltas, gordinhos, de joelhos feridos semi-cicatrizados. Das canções de ninar. Dos sonhos relatados em desenhos...
Nostalgia dessa vida. Saudades de viver.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Esse rio, é minha rua.

Dissipara-se toda tristeza e mau-humor.
Quanto te via assim, sereno, insípido, desejara por um momento morar em tuas águas, e tornara-me até egoísta e mesquinha em te querer só pra mim.
Naquele momento eras meu, e a alma uivava de êxtase a cada minuto que me pertencias. Todos os conflitos mundanos haviam sumido, as areias sagradas impregnavam a sola dos pés, o verde ávido e berrante das árvores fixavam meus olhos estupefatos de alegria, os animais estavam lá festejando Deus, tão dignos filhos quanto o homem nem pode mensurar.
E eu era filha. A filha bastarda da natureza.
E meus irmãos tão bastardos quanto. Apesar da vergonha...encolhia-me em alguns ramos e arbustos observando aquela festa única, todos em completa harmonia. Deus. Animais Irracionais. Flora. Fauna. Rio...A Amazônia era feliz.
E onde estavam os animais racionais, além de mim?
Eu.Ali.Acolá. Tentando absorver aquela energia que não me pertencia, apenas me cediam por bondade divina. Perguntava-me, o porquê muitos não entendiam isso...que somos agraciados da bondade dos céus por poder conviver com todos esse elementos únicos e sagrados assim tão perto.
Perguntava-me, o porquê a razão humana destrói o que há de mais vital no mundo.
Perguntava-me, o porquê á alguns quilômetros dali estavam sendo derrubadas milhões de hectares de floresta para a criação de um gado que será devastado também.
O olhar de uma ave veio ao meu encontro, e já voltando ao mundo real do desgosto trouxe á canoa até a superfície e caminhando amiúde apenas pedi baixinho : - Meu Deus, perdoe-nos por tanta arrogância. E olhando aquele céu agradeci, por ainda poder conviver com isso, nadar nesse rio, respirar esses ares pois ser filha da Amazônia hoje com certeza não terá o mesmo efeito que amanhã.

domingo, 10 de maio de 2009

Pra ela.

E sinto que tudo que possa haver nesse mundo não se iguala nunca, as vezes irrito-me por quereres me cuidar tanto, por achar que a violência do mundo me tem como alvo , por sempre me proteger demais apesar dos meu mil e um e tantos erros. Mas tu és pra mim a rosa mais bonita, a luta mais verdadeira, o sorriso mais puro, a mulher mais digna da vida. Da minha vida.
Por ti, eu vivo e morro.

Obrigada minha MÃE. Meu amor eterno.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Tão caótico.

Enquanto os documentários e um fulano de tal explicam que o Brasil está bem preparado em relação a gripe suína, que realmente apavorou a população nos últimos dias, mas porém atingiu apenas 4 pessoas e que estavam á passeio no exterior, o interior do Maranhão está em baixo d'agua e uma criança morre afogada caindo dos 'alicerces' de sua própria casa. Mas para isso o Brasil está bem preparado? Isso todo mundo vê diariamente, mas os braços ficam cruzados. Será que a gripe suína precisará atacar todos os moradores desse humilde interior para poderem ser notados?
Queremos solução não apenas comentários.
A previsão do tempo apenas explica que a chuva continuará, e que ainda não se pode afirmar que essa quantidade excessiva de água é culpa do homem, pois ainda é cedo e natureza não dá explicações...apenas castiga o homem sem dó nem piedade.
Caótico não?

Um deputado fala abertamente, - tô me lixando pra opinião pública.
Bandidos assaltam e matam duas pessoas que não reagiram.
É, apenas mais um dia de greve rodoviária e uma vontade de escrever.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Ás vezes se ri, quase sempre.

Dia do Riso necessariamente tem que se rir?
Os 365 dias do ano têm sido completamente um espetáculo de circo, a piada entra em cena todo dia desde os escaldantes noticiários que giram em torno de morte, sequestro, fome, políticos corruptos, famosos que têm fama sabe-se lá Deus porque e é claro uma mulher semi-nua que insiste em posar todo dia nas mesas de café da manhã.
Será que hoje o riso tem que ser maior?
Até pode sim, mas só depois da novela das 8.
E o descaso com a população dá pra ser maior?
Dá sim, logo depois dos noticiários globais pensaremos sobre isso.
E as crianças morrendo de fome da África? Tanto faz, já são tantas.
E onde estão os dito-cujos que votamos? Com certeza deitados em suas poltronas retráteis com um enorme banquete á espera.
E a banalização da violência? Expandidas cada vez mais já que os empregos destinados á esse setor fecharam as vagas á tempos.
E o aquecimento global? - Vai bem, obrigada.
E os bens naturais o que acham disso? Eles nem chegam a ser consultados.

E o planeta? Indo de mal a pior com certeza.
E você? Fumando seu charuto cubano, na sua Mercedes Benz, com seu lanche da McDonald's?
É minha gente, vamos rir enquanto podemos.

terça-feira, 5 de maio de 2009

A alma reflete isso.


Parece suicídio.
Desses mais desesperadores e rápidos que quando você fecha os olhos já foi.
Foi tudo o aquela voz do outro lado da linha disse, - espero que não se chateie, e um riso incontido com lágrimas surgindo nos olhos apenas afirmou um - tudo bem, a gente se fala.
E o dia seguiu-se assim melancólico e desajeitado como se toda aquela confusão já pré-existente não pudesse mais piorar. E piorou.

Por isso, eu prefiro a semana que se foi.
O perfume que se foi.
A música, os olhos, o suor, a dança, a voz, o beijo...tudo que agora se foi.
Quem sabe daqui a uma semana tudo isso modifique como a mandala de matizes e cores que nos afogam em sensações confortantes? Quem sabe daqui a uma semana tudo se repetirá, mas dessa vez nascerá um novo protagonista? Quem sabe eu serei amanhã menos romântica?

O pior transformou-se em vazio, a dor transformou-se em texto, e ele? Apenas lembrança.